terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

O amanhã, amanhã virá!
















(HJ)

São quantos os futuros? Me perco nos números, porque a cada dia um novo futuro eu vejo chegar.
Porque eu fecho os olhos toda noite e vejo diferente o amanhã, que vem sem pressa, sem pensar.
Vem com certeza, apesar das dúvidas e das dívidas, das idas e vindas. Vem pra nos acostumar.
Porque é sempre igual o amanhã, pois até mesmo a diferença é previsível e basta a nós acordar.
Já que amanhã é o futuro, não há o que esperar. O nosso tempo é curto demais pra nos acostumar.
Então só nos resta é viver meio sem jeito, meio tímido, no meio desta gente estranha de se amar.
Mas que amo sem saber o porquê, e não há tempo pra respostas. Se amo é ao acaso, sem pensar.
Amanhã o amor continua o mesmo, mesmo que eu acorde diferente. Dane-se, vou pra onde o vento levar.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Tudo Vale à Pena










(HJ)

Eu queria ser muito mais, não sei bem ao certo o que, mas sei que queria ser mais. Queria ser uma pessoa melhor, deixar de ser átono, um pouco chato, um pouco enjoado. Queria saber lidar com as pessoas, saber o que dizer, o que fazer e até fazê-las felizes. Não sei por que isto. Talvez eu me sentisse melhor. Porque me dói o fato de não saber a hora de cumprimentar qualquer um, ou oferecer a uma dama minha poltrona. Não sei quando, nem como, ajudar uma velhinha a atravessar a rua, nem mesmo como ouvir os lamentos de um colega e poder torná-lo um pouco mais calmo. E eu queria mais. Queria ser um melhor aluno. Alguém mais aplicado, motivado, dedicado. Queria ser o melhor, genial, pra assim compensar o esforço de quem me ajuda e orgulhar quem aposta as fichas em mim. Quem sabe assim eu me sentiria um melhor filho. Eu queria ser um melhor filho. Queria que meu amor pudesse ser visto na minha testa e que eu não precisasse falar nada. É difícil falar. Expressar o amor que se tem ou o ódio, que não me convém. É difícil dar opiniões e escutar opiniões diferentes. Entretanto, é necessário, e eu queria saber falar, porque me dói o arrependimento de não ter dito o que na minha testa não aparece. Eu queria ser um músico, saber escrever músicas, poesias, histórias. Queria que as pessoas gostassem de mim sem nem me conhecer, só pelo fato de eu despertar um sentimento bom nelas. Eu queria não ter medo de escrever também e publicar tudo que eu tenho vontade de escrever. Eu queria ser um fanático, um nerd. Tornar a vida mais fácil e mais rápida. Mas não queria que a vida passasse despercebida, eu queria que as pessoas tivessem mais tempo pra sentir o perfume de uma flor e pra um banho de mar. Eu queria que um dia tivesse muito mais que 24 horas, pra que assim todo mundo pudesse dormir um pouquinho de tarde e acordar cedo para ver o sol nascer. Eu queria ser mais bonito também. Queria que meu nariz não fosse torto e que não existissem as dores nas costas. Queria morar na praia no verão e na serra no inverno e que meus amigos me visitassem às vezes. Queria namorar a garota mais bela e doce que existe, e que ainda assim ela fosse a mais inteligente e mais amorosa de todas, e queria vê-la adormecer toda noite do meu lado. Queria poder rir de qualquer piada e chorar toda vez que parecesse necessário, pra não parecer alguém insensível. Queria que meus amigos nunca me esquecessem e que eu nunca esquecesse eles. Queria sempre ter assunto pra conversar e saber a hora de ficar calado. E eu queria muito mais. Ser um melhor motorista, um melhor esportista, um melhor irmão, melhor amigo, melhor leitor, melhor em tudo. Mas falta a coragem de entrar, na cara e na coragem, numa luta contra si próprio. Superando limites, sofrendo pra atingir a supremacia, para a glória. Eu queria ser melhor, queria que muita coisa fosse diferente. Mas não basta querer, é preciso algo mais. Vontade, força, dedicação e muito mais. É preciso tempo, porque só o tempo irá dizer se vale a pena querer tudo ou se é tudo que vale à pena.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Sem Medida
















(HJ)

só tenho pra lhe dizer é que te amo tanto
e não me pergunte tanto quanto
porque sobre isso não há o que proferir
para mim, amor só é amor quando não há como medir

e eu quero é a overdose do teu amor
me afogar nos teus lábios, queimar no teu calor
pra espantar o tédio e esquecer a nostalgia
quero dormir no teu colo, acordar no seu dia

e caso eu pareça sem nenhum sentimento
olhe fundo nos meus olhos por um momento
tente notar a umidade ao encontro teu
o brilho que me condena ser pra sempre o seu romeu

e podes me chamar de covarde se quiser
porque o que eu faço é fingir, mulher
finjo que não te lembro, que não te vejo
mas deixa eu fingir meu maior sonho: teu beijo!

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Covarde

(HJ)

eu sou apenas um medroso
com medo do risco, meticuloso
medo do meu futuro, da incerteza
fazendo sempre o mesmo com clareza
esperando um milagre talvez
a hora certa, um sinal da minha vez
tenho medo de mudar, de me tornar um só
sozinho por aí, atado com meu próprio nó

procuro alguém pra abraçar
e só acho um violão
pode ser que eu mesmo seja o vilão
me diga o que fazer garota
não deixe eu afundar nas lágrimas da solidão

desperta, dá-me um tapa no rosto
e me faz sentir o arder e o gosto
o amargo perverso da minha fobia
acaba com toda essa agonia
pra eu viver mais intensamente
e realizar meus sonhos, sinceramente
navegar por aí, sem medo da dor
extravasar, infestar o ar com meu amor

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Monólogo













(HJ)

Eu queria um motivo para sorrir. Uma motivação, uma ideologia, uma identidade, pra suportar a pressão, pra não parar meu coração. Só assim eu largaria a maldade, assumiria de vez que eu vivo e publicaria minhas opiniões nas rodas de amigos, deixaria de ser um covarde.

Eu quero a liberdade, experimentar as drogas que nos salvam dessa monotonia e se o amanhã não me convir, eu quero a dose letal. Só quero é escapar dessas amarras, fugir de casa, da solitária. Quero viver sem medo pra não subir amargurado, pra não me desesperar ao ver meus números a cada dia, açucarados. Quero o poder de ter histórias inesquecíveis para contar. Me gabar por aí pelo que vivi, antes da minha hora chegar.

Pelo visto está acabando, parece até que já passou do ponto, sangra pelos olhos agora a vontade de começar novamente, rasgar esse monólogo, deixar para trás toda essa vontade de ranger os dentes.

domingo, 27 de janeiro de 2008

No Lugar Errado




















(HJ)

Dia desses me deparei com um texto sobre um camelo que perguntava para sua mãe o motivo de eles possuirem corcovas nas costas, a mãe respondeu que como eles são animais de deserto eles podem ficar vários dias sem beber água e que as corcovas serviam para armazenar água. O camelo perguntou também o porquê de eles terem pernas longas e patas arredondadas, a mãe disse que era para eles conseguirem viver no imenso calor do deserto. O camelo ainda fez sua última pergunta, por que eles tinham cílios tão grandes, a mãe lhe contou que era para proteger os olhos contra a areia do deserto. Então o camelo olhou sério para mãe e disse: se nós temos tudo isso para viver no deserto, por que diabos estamos num zoológico?

Parei pra pensar um pouco no texto e pude compará-lo com a vida, até mesmo me identifiquei ligeiramente com ele. Para que vivemos e somos assim? E por que sonhamos? Qual o motivo de estarmos aqui nesse mundo, perdidos e às vezes desencontrados?

Bem, me culpei por algum tempo e ainda me culpo por não aproveitar a minha vida como deveria. De que adianta uma vida, se não saio do meu casulo, vivo entrincheirado, esquecido, amargurado. Eu quero mais é sair, fugir daqui, partir para a batalha, conhecer o campo de guerra e olhar além das linhas inimigas. Quero esbanjar minha vida, porque vida não se economiza, vida apenas passa se não for vivida.

Não sei pra que tenho tanto amor no coração. Escondo ele o máximo que consigo, deixo ali, guardadinho com muito carinho, mas sem um pingo de razão. Assim como tudo que temos na vida, acredito que tudo tem prazo de validade e de nada adianta guardar qualquer coisa por muito tempo. O tempo passa e depois disso nem lembranças restarão e muito menos os frutos que vejo colherem por aí, nos filmes, nas novelas, nas esquinas da minha rua.

Pois é, temos tanta coisa para ser feliz. A vida por si só já é um bom motivo, desde que seja vivida nos lugares certos, perto de quem se ama, fazendo o que se gosta. o amor está dentro de cada um e é pra ser usado com abundância, a qualquer hora e em qualquer lugar, torna-se inútil o amor em segredo, o amor cerdado de medo. Mas mesmo eu sabendo de tudo isso continuo esse ser submisso, dependente químico, físico, tecnológico. Vivo como um bandido, assassino, preso, na solitária. Quem sabe me falte alguma coisa que eu nem sei o que é ou talvez eu tenha tudo nas mãos, talvez eu só esteja no lugar errado, longe de tudo, ou talvez já esteja soterrado.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Me Diz

(HJ)

é tão estranho te amar
inesquecível, imprecindível
és a minha lua, minha luz
por você faria tudo, carregaria uma cruz
só para não viver na escuridão
olhar teus olhos, beijar teus lábios
ser feliz, só teu, sentir meu coração
lhe contaria minhas histórias fúteis
e te encheria com meus motivos inúteis
mas só porque te amo
e é por ti que aclamo
todo dia, o dia todo
sonho contigo, te chamo
vai, menininha
me diz se eu posso lhe ter, minha rainha
faz de mim um sem noção
louco de amor, perdido de paixão

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Confissão

(HJ)

Confesso que não faço muita coisa na minha vida. Não sou daqueles que vivem intensamente, daqueles imperativos e inconsequentes. Não sou um fã histérico de baladas e não saio muito de casa. Sou um pacato cidadão. Não por opção, mas por vocação, talvez. O mundo, meu mundo, me tornou assim, um monstro quem sabe, meio sozinho, só mais alguém no ninho.

Meus amigos não me procuram. Não sabem o que faço, nem o que penso. Acho que não importo muito pra eles, ninguém depende de mim e devo ser um pouco chato também. Mas a culpa é minha. Também não procuro eles, não sei o motivo, deve ser o comodismo com a solidão. Sou um individualista, tão logo um egoísta, meio perdido, meio cansadão.

Já fui de me dedicar mais aos objetivos. Na verdade, tempos atrás eu tinha grandes objetivos, pareciam tão lógicos e corretos e era por eles que eu não dormia, que eu fazia de tudo um sacrifício, uma harmonia. Hoje tudo parece demais, não consigo trilhar uma meta, qualquer plano que faça minha vontade valer a pena, algo que custe o que eu correr, doa o que doer. Mas a explicação começa pelo começo, sem entoar nem proferir, eu mereço.

Eu sonhava, e muito, ainda sonho quando durmo, sem querer mas sonho. Algumas vezes eu durmo acordado e meus sonhos não me deixam dormir. Os meus sonhos são meus maiores pesadelos. É pelos sonhos antigos, aqueles impulsivos, que tornam-se impossíveis que derramo lágrimas e é nesse mar de lágrimas que navego. Mar agitado, enorme e atormentado. Não enxergo um caminho, só vejo mar por todo o lado e por não ter rota vou navegando, pra onde a onda levar, pra onde o vento soprar.

Talvez eu seja o que ninguém quer, aquilo que eu não quero ser. Eu podia me comparar com aquela plantinha, plantada com o maior carinho, meticulosamente regada, onde a esperança de quem via enxarcava-se pelos olhos. Mas essa plantinha recebeu água demais e de tanta atenção que teve, acabou por não crescer. Ah como eu queria não ser uma plantinha, eu queria ser um passarinho, que voa por aí cantando pra quem quizer ouvir, sempre junto com quem quizer seguir. Bebendo a água de pouquinho, sentindo o vento soprar, a brisa, batendo asas, um passarinho.

Não sou tão feliz, as histórias que tenho pra contar são bem sutis. Talvez nem teria mais razão para seguir assim, aflito, um pouco arrependido, contrito. Mas lá no fundo, bem no fundinho, tem um pouquinho de esperança, que alimenta minha quimera, minha vontade louca de ser alguém diferente, que me faz acreditar num milagre, numa estrela cadente. E é por isso que eu sigo, meio doente, insensato, sabendo que os sonhos acorrentam a gente. Que é por culpa dos sonhos o meu léu, mas que são os sonhos que giram meu carrossel.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Despertador
















(HJ)

mais um dia e eu sentado aqui do teu lado
tão longe de ti, morena. tão distante
bebendo água a noite inteira e te olhando
admirando teu perfil, teu maior retrato vil
seco as lágrimas secas no meu rosto
acidez cruel que me envelhece, me venta
resseca meu ser, corrói meu coração
e eu indecente, mais um dia, mais além
espero novamente o sol nascer
outra noite, outro dia padecer
adormeço ouvindo teus passos mudos
partindo, sem despedida, sem perdão
eu embriagado de amor, delirando
durmo para nunca mais te lembrar
mas é por ti que acordo no outro dia
o mesmo dia em que resolvi te abandonar


(a foto foi eu quem tirei de um mirante
misterioso na serra do rio do rastro.
a natureza faz seu show silencioso
para aqueles que sabem ouvir)