sábado, 17 de novembro de 2007

Remador

(HJ)

É uma voz doce que me aflige.
Um mistério, algo estranho,
a voz da solidão!
Me sussurra, diz que é preciso um mar pra navegar,
é preciso sentir o gosto salgado do seu mar.
Estar à deriva, em alto mar;
"te joga, segue teu rumo" é o que ouço
e sigo lacrimejando, levando, levado;
me afogando, vou à fundo.
Afundo, e tento me livrar da solidão,
mas até a solidão me faz falta.
Com ela é que remo nesse mar de lágrimas;
mar previsível, mar que assusta
com suas ondas, seu vento frio.
Nesse frio me encolho,
Solto meus uivos mudos de dor, de coração;
e continuo alimentando meu mar
Sigo remando, úmido, olhando o horizonte;
Uma esperança, uma vontade de viver,
Rezando para que a maré não vire;
Para que nada vire as costas,
para que o pouco não vire pó...

domingo, 11 de novembro de 2007

Projeto

(HJ)

quero tocar meu violão na beira mar
ouvir as ondas vir, voltar
seus adjetivos nos meus garranchos
variar a vida, te ter, cantar

quero sua voz, seu colo
seu deleite sob o luar
sentir a brisa no meu rosto
viajar sem pressa, relaxar

enxugar minhas lágrimas com seu olhar
sozinho com você
sozinho com você
sob o luar...

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Estrovo

(HJ)

Não sei ainda o que sou
será que sou alguma coisa?
Não sei. Apenas sei que sou um inútil
ou melhor, inútil não
sou uma pedra no caminho
um incômodo, um estrovo
Não faço nada, não quero nada
Bem, não sei ainda o que quero
talvez não queira saber
ou então seja um fraco pra admitir
enfim, sinto um coração bater
por amor, por ódio, por teimosia
sou arredio. perdi-me dos sonhos
e agora procuro sem sentido
um rumo, uma cadência pra viver

sábado, 3 de novembro de 2007

Proteja-te

(HJ)


Proteja-te...
Proteja-te contra si mesmo
contra sua mente vadia e promíscua
que não sabe nada, que não lateja,
não é nada além de cinza e vão
Sua mente que te mente tudo
faz-te um ignorante, um figurante de si
te acaba, te mata, te condena
deixa-te um idiota, sem ação
sem nada, ficção....