sábado, 17 de novembro de 2007

Remador

(HJ)

É uma voz doce que me aflige.
Um mistério, algo estranho,
a voz da solidão!
Me sussurra, diz que é preciso um mar pra navegar,
é preciso sentir o gosto salgado do seu mar.
Estar à deriva, em alto mar;
"te joga, segue teu rumo" é o que ouço
e sigo lacrimejando, levando, levado;
me afogando, vou à fundo.
Afundo, e tento me livrar da solidão,
mas até a solidão me faz falta.
Com ela é que remo nesse mar de lágrimas;
mar previsível, mar que assusta
com suas ondas, seu vento frio.
Nesse frio me encolho,
Solto meus uivos mudos de dor, de coração;
e continuo alimentando meu mar
Sigo remando, úmido, olhando o horizonte;
Uma esperança, uma vontade de viver,
Rezando para que a maré não vire;
Para que nada vire as costas,
para que o pouco não vire pó...

Um comentário:

Fran. disse...

quando tu lançar um livro, eu vou ser a primeira a comprar.