(HJ)
É uma força estranha que me consome;
Assusta e me deixa sem chão, sem voz.
Dá medo pensar em te ver, te ter;
Dá medo o compromisso de te fazer feliz
e me arrependo mesmo antes de tentar,
arriscar, aventurar-se em teu mundo.
Fico a imaginar teus pensamentos,
talvez eu não seja nada do que sonhaste;
Não seja o cara mais lindo,
o mais simpático e sensato,
o mais romântico, mais nato de ti.
Talvez eu não seja teu amor, tua vontade;
Não seja o mais responsável,
o mais ágil e hábil,
o mais talentoso, pomposo.
Talvez eu seja o maior otário;
Seja o cara mais maluco,
o mais sem-noção e inocivo,
o mais hipócrita e inativo.
E talvez tenhas vontade de calar-me
sem nem ao menos ouvir-me;
Ou talvez nem saibas que existo
e, se existo, penso em ti,
nas noites claras sob o véu do luar;
Fingindo escrever-te cartas;
Fingindo ter bravata pra te enfrentar
e ameaçar-te com meu amor.
Eu sei, já percebi. Sou só um fanfarrão;
Sei que minha cura és tu ao meu lado
e mesmo não sendo assim,
inibo-me e vivo a fingir;
Sigo ferindo-me com ilusões,
Discrepando-me de mim mesmo.
Sigo, redundante, na contra-mão;
Sem mãos pra espalmar-me,
retirar-me o fel, despertar-me ao acaso,
para eu ter a coragem de te dizer
tudo aquilo que sonhei de caso pensado.
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Um comentário:
Muito, muito bom.
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