sábado, 13 de outubro de 2007

desesperança

(HJ)

certas vezes, esperamos por algo incerto
é sonho, a esperança de viver
outras vezes nos prometem aquilo que queremos acreditar
e acreditamos, para assim perder a esperança
já que nada mais adianta, o que me resta?
já não tenho esperança de ser feliz
não espero mais uma notícia boa
não te espero mais na minha porta
nem sonho mais, é demais para mim
daqui pra frente não tenho objetivos
não tenho vontade de sonhar
de desejar-te e ancorar-te em mim
sigo só, sem rumo, sem motivo
porque não me admira mais ser um estranho
nem me estranho mais
já que agora nada mais é absurdo
nada mais pra mim é como antes
já que antes eu tinha alguma esperança
foi a gota d'água, talvez gotas,
talvez uma tempestade dentro de mim
e minha vontade divina é nada mais além de pó
é sintética a vida, é cinética
e gira sem parar,
pois eu sei que não deveria estar aqui
meu pacto em querer ser eu, me condenou
e agora vivo artificialmente
sem poder conceder-lhe nada
sem nada pra mim, pra me libertar
sigo só e arrependido de sonhar
pois nunca mais poderei dizer
tudo aquilo que um dia ensaiei
tudo aquilo que já não é de se esperar

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